• Ceclin
jul 24, 2018 0 Comentário


Mulher de Vitória de Santo Antão é morta por paramilitares na Nicarágua

Raynéia Lima estudava na Nicarágua há 6 anos e iria se formar em poucos meses Reprodução / Facebook

Raynéia Lima estudava na Nicarágua há 6 anos e iria se formar em poucos meses. Reprodução / Facebook

Raynéia Gabrielle Lima voltava para casa na noite da segunda-feira quando seu carro foi metralhado; ela cursava medicina em Manágua, capital do país

Uol

A estudante pernambucana de medicina Raynéia Gabrielle Lima, 31 anos, morreu após ter o carro metralhado noite da última segunda-feira (23/7) em Manágua, capital da Nicarágua. O assassinato, divulgado pela imprensa local, foi confirmado pela Embaixada do Brasil no país. Estudante da Universidade Americana (UAM), ela era de Vitória de Santo Antão, na Zona da Mata de Pernambuco, e completaria 32 anos em agosto.

Raynéia voltava para casa após um turno no hospital onde era residente, quando seu carro foi metralhado por paramilitares, de acordo com Ernesto Medina, reitor da Universidad Americana (UAM), onde ela estudava. Ela estava a apenas três meses de concluir o curso e pretendia voltar ao Brasil. De acordo com o jornal La Prensa, o grupo que atirou contra o carro da brasileira é o mesmo que atualmente ocupa o campus da UNAN (Universidade Nacional Autônoma da Nicarágua, na sigla em espanhol).

Em seu perfil nas redes sociais ela se descreve: “Nascida no Brasil, renascida na Nicarágua. Liberdade, luz, paz e amor.” O país da América Central vive desde abril uma onda de protestos que pedem a saída do presidente Daniel Ortega. O governo respondeu com violência aos manifestantes e ao menos 360 pessoas já foram mortas, a maior parte civis.

O pai da universitária, o motorista Ridevando Lima, disse que ela se mudou há seis anos para a Nicarágua junto com o marido, cuja família, brasileira, já havia morado no país. Ele afirma que a filha não participava de manifestações no país. “Ela não entrava nisso de manifestação, era muito tranquila”, destacou a pai, que descreveu a jovem como caseira e estudiosa.

O Itamaraty divulgou uma nota oficial, na qual afirma que está “buscando esclarecimentos junto ao governo nicaraguense” sobre as circunstâncias da morte da brasileira e condena o “aprofundamento da repressão, o uso desproporcional e letal da força e o emprego de grupos paramilitares em operações coordenadas pelas equipes de segurança” do governo local.

O pai de Raynéia, Ridevando Pereira, disse ainda que o corpo deve ser trazido ao Brasil para o velório. “A última vez que vi minha filha foi há três anos. Não tinha ideia de como estava a situação na Nicarágua, só sabia que ela iria voltar”, afirmou.