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fev 22, 2018 0 Comentário


Líder da oposição se entrega ao governo Aglailson

O pragmatismo político imediatista dos Geraldo's já é historicamente evidente na cidade. Foto: Reproduçao / Internet

O pragmatismo político imediatista dos Geraldo’s já é historicamente evidente na cidade. Foto: Reprodução / Internet

Por Lissandro Nascimento

Em uma tumultuada sessão ordinária que começou no final da tarde da quarta-feira (21/02), os 19 vereadores da Vitória de Santo Antão se viram sob uma nova correlação política e apreciaram sob tensão projetos de Lei enviados às pressas pelo Poder Executivo.  Na ocasião, o fato político relevante se deu diante da renúncia da função de Líder da Oposição até então ocupada pelo vereador Geraldo Filho (PR), que ingressou na base aliada do Prefeito Aglailson Júnior (PSB) e anunciou apoio ao pré-candidato a deputado estadual Aglailson Victor (PP), filho do atual prefeito.

Já era aguardado que Geraldo Filho mudasse sua posição política na Câmara Municipal, tendo em vista que o seu pai, ex-vereador por seis mandatos, José Geraldo Gomes de Araújo (Geraldo Enfermeiro), já assumira publicamente entre os seus o “costurado” apoio a pré-candidatura de Victor.

Indubitavelmente, a postura politicamente bisonha de Geraldo Filho era nitidamente observada no mundo político local. Por que em razão de ser a liderança da bancada de oposição na Casa Diogo de Braga, nunca havia feito qualquer denúncia formal contra a Prefeitura junto aos demais órgãos públicos, segundo, nunca participou diretamente de nenhuma manifestação popular contra o governo, além de fazer pronunciamentos que só atingiam pequenos problemas da municipalidade e sem apontar qualquer intervenção aos graves gargalos que acometem o governo Aglailson.

Invoco aquela expressão: “Cão que ladra não morde!”, pois é… Geraldo sempre se utilizou do espaço de líder para se cacifar diante dos Queiralvares. Primeiramente, no inicio desta legislatura ele ensaiou que estava sendo perseguido e ameaçado por Aglailson Júnior, entretanto, ninguém levou à sério a denúncia, inclusive foi ‘unicamente e ou solitariamente’ publicada menção ao suposto fato no Blog Nossa Vitória PE sob o título: “Acusando prefeito de intimidações, Geraldo Filho sentencia: não é desta forma que se faz política”. Nem se quer a Polícia Civil foi provocada a abrir inquérito investigativo.

Como é que um cara me ameaça e no outro ano ando agarrado com ele? Acredito que suas presenças nas missas da Paróquia de Santo Antão tenham ajudado ambos a se perdoarem.

Liras, Geraldo e PR

O fato é que havia uma indisposição pessoal da família Araújo com o ex e o atual prefeito Aglailson. Tudo começou assim…

Nos idos de 2008, enquanto Presidente da Câmara de Vereadores de Vitória, Geraldo Enfermeiro entra em rota de colisão com os Queiralvares diante de uma briga por espaço pela Direção do Hospital João Murilo, pelo qual ele exercia influência gerencial e política naquela unidade hospitalar sob a benção política do então deputado estadual Aglaílson Júnior. Porém, quando José Aglaílson renunciou o mandato de prefeito em fevereiro daquele ano, entrou em conflito com o Presidente da Câmara, diante do desejo do ex-prefeito em colocar sua filha, Adriana Queiralvares, como Diretora daquela unidade hospitalar em pleito junto ao Governo do Estado.

Com a ciumeira política estabelecida, anos depois Geraldo fica sem legenda e acaba lançando seu filho como vereador na chapinha do PTC nas eleições de 2012, obtendo 1.659 votos. No segundo mandato de José Aglailson como prefeito, os Araújos comandavam a Câmara e eram beneficiados por inúmeras locações de imóveis perante o Poder Público municipal. A “fominha” por cargos e espaços gerou o rompimento político entre eles, bem como uma evidente discrepância pessoal.

Lemos, Geraldo e Henrique Filho

Para não ficarem isolados no meio político tradicional, os Araújos se aliaram ao deputado estadual Henrique Queiroz (PR), quando o palanque de Henrique Filho para prefeito em 2016 ajudou na renovação do mandato de Geraldo Filho, que obteve 875 votos, sendo o penúltimo eleito daquele pleito (queda significativa!). Com a ida do grupo de Henrique ao governo de Aglailson Junior, a idiossincrasia pessoal estabelecida entre Geraldo e o prefeito o fez ser oposição. Contudo, o seu pai (Geraldo Enfermeiro), agindo pragmaticamente, voltou a flertar com o atual gestor da Prefeitura.

Na época, o gestor José Aglailson acusou em entrevista nas suas emissoras que Geraldo (pai) o havia lhe traído politicamente. Depois foi a vez de Queiroz também lamentar a falta do devido apoio a candidatura do seu filho, Henrique Filho, naquele pleito. Dessa vez, a vítima foi o deputado estadual Joaquim Lira (PSD), que tinha em Geraldo Filho um aliado, inclusive a aliança foi selada com churrascos festivos, sobejamente publicizados em redes sociais. O pragmatismo político imediatista dos Geraldo’s já é historicamente evidente na cidade. Em 2013, Geraldo Filho foi o defensor da proposta de acabar com a reeleição do presidente da Câmara, iniciativa orquestrada para inibir a ascensão política do ex-vereador Edmo Neves (PMN), numa apoiada aliança covarde estabelecida entre os Liras, Queiralvares e os Queiroz.

Bau, Geraldo e Bione

Com Bau Nogueira eleito presidente da Câmara, Geraldo Filho assume a primeira secretaria da Mesa Diretora em 2015. Foto: Arquivo / Blog

É lógico que intencionalmente os prefeitos queiram assegurar maioria nas Câmaras para permitir sua governabilidade. Em Vitória não é diferente! A história se repete e quem se encontra atrelado ao Poder é beneficiado. Para se ter uma ideia, dos 12 vereadores eleitos no palanque do então candidato a prefeito Paulo Roberto em 2016, hoje ligados ao ex-prefeito Elias Lira (PSD) restam 07 parlamentares, a saber: André de Bau (PSD), Mano Holanda (DEM), Lourinaldo Júnior (PMDB), Edmilson de Várzea Grande (PMDB), Xanuca (PSD), Duda de Pacas (PSDC) e Toninho Gabriel (PRB). O último que virou para a situação foi o vereador Marcone da Charque (vice-presidente municipal do PSD), que já declarou apoio ao jovem Victor. A bancada de oposição já indicou o nome de André de Bau para ser o seu novo líder.

Portanto, Geraldo Filho pavimentou seu caminho para o retorno ao palanque dos Aglailson’s. Fez uso de líder da oposição para cacifar individualmente seu retorno, desenvolvendo uma agenda de provocação junto ao prefeito, a exemplo de sessões solenes para homenagear os adversários do atual gestor, ajudando a tentativa de substituir a composição da atual Mesa Diretora, ataques direcionados ao sucateamento do Carneirão, bem como sua neófita aliança com Joaquim Lira, dentre outras.

A estratégia eleitoral de Aglailson Junior a fim de atrair mais gente para apoiar o seu filho nas eleições de 2018 é bastante compreensível, até em virtude de Victor preceder diante da obrigação de ser o majoritário em Vitória neste pleito. Contudo, a Terra das Tabocas assiste refém, mais uma vez, destes dois pólos políticos que não mais atendem a um projeto de desenvolvimento sustentável para o Município. Por fim, Geraldo retorna ‘menor’ as hostes socialistas.