• Ceclin
mai 14, 2018 0 Comentário


Jovem de Pernambuco quer ser primeiro brasileiro a entrar no Livro dos Recordes por visitar 196 países em 18 meses

O feito que Anderson almeja alcançar como primeiro brasileiro nessa condição foi atingido por uma americana em 2017, também no período de 18 meses. Foto: Divulgaçao

O feito que Anderson almeja alcançar como primeiro brasileiro nessa condição foi atingido por uma americana em 2017, também no período de 18 meses. Foto: Divulgação

De origem pobre e feito empresário com apenas 24 anos de idade, Anderson Dias vendeu tudo e, com o dinheiro que juntou, pretende iniciar viagem nas próximas semanas 

Nos últimos sete anos, o jovem Anderson Dias, 24 anos, se viu diante de várias reviravoltas. Ele deixou a casa dos pais em Caruaru, no Agreste de Pernambuco, cidade onde vivia desde a infância, para tentar a vida no Recife. Saiu com apenas R$ 300 no bolso, pagou a primeira parcela do aluguel de uma moradia simples e, com os R$ 50 que sobraram, mal conseguiu comer por três dias. Hoje, depois de vencer muitas dificuldades, a situação é bem diferente. O rapaz tornou-se empresário do ramo de tecnologia vendendo capas para celular na rua e, mesmo diante de tantas vitórias, tomou uma decisão arriscada: largar tudo o que já conquistou para ser o primeiro brasileiro a conhecer os 196 países soberanos do mundo em um ano e meio.

A viagem já foi comunicada ao Guinness Book, que exigirá a comprovação do cumprimento das etapas. Se concluído, o feito deve ser registrado no Livro dos Recordes. Anderson pretende viajar nas próximas semanas com o dinheiro que juntou depois da venda de sua empresa de tecnologia, que contava com uma loja física em Boa Viagem, bairro nobre do Recife, e uma virtual. O jovem chegou a ganhar R$ 25 mil por mês com o trabalho, bem diferente de quando tomou a decisão de sair de Caruaru. “Com apenas R$ 50 no bolso, vi nos classificados de um jornal uma vaga para ser vendedor de livros. Fui atrás e passei a ganhar R$ 2,50 por livro que vendia nos ônibus. Em uma semana, consegui tirar R$ 1 mil. Minha vida estava mudando”, relata.

O feito era o primeiro passo de uma trajetória marcada pelo dom da multiplicação. Vendendo livros, cursos de informática e capas para celular, ele propôs-se a juntar R$ 30 mil em três meses com o objetivo de fazer um intercâmbio. Conseguiu atingir a meta de maneira sofrida, fazendo, às vezes, apenas uma refeição por dia. O sacrifício viabilizou que ele pagasse uma viagem de seis meses por 12 países, o que foi suficiente para que o rapaz aprendesse a falar inglês e espanhol. “Sempre tive o sonho de fazer intercâmbio. Aquela viagem foi uma espécie de ensaio para o momento que vou viver agora, passando por todas as nações soberanas do mundo, inclusive aquelas mais perigosas, que estão em zonas de guerra”, declara.

Ao voltar ao Brasil, no auge da crise econômica, outro momento de dificuldade: Anderson não conseguiu emprego. Foi então que tomou a decisão de repetir a fórmula que havia dado certo uma vez. Vendendo capas para celular, conseguiu juntar dinheiro para abrir sua própria loja de acessórios, que lhe garantiu um período exitoso durante os últimos dois anos. “Decidi abandonar tudo porque a vida não é só trabalho, e meu sonho não é ser rico. A gente não tem que viver como a sociedade impõe. A gente tem que viver buscando ser feliz. Minha ideia, com essa viagem, é mostrar ao mundo que a gente consegue tudo o que quiser. O Brasil tem muitas pessoas com grandes dons, mas que não trabalham isso e se perdem por não acreditarem nelas mesmas”, reflete Anderson, que pretende compartilhar sua história em palestras quando concluir sua volta ao mundo.

VIAGEM

O feito que Anderson almeja alcançar como primeiro brasileiro nessa condição foi atingido por uma americana em 2017, também no período de 18 meses. Para ser registrada no Livro dos Recordes, a tarefa demanda uma série de cuidados. O primeiro é avaliar se a missão é viável, o que já está em análise pelo Guinness Book. Depois, são enviadas as regras, como não usar nenhum meio de transporte particular, documentar tickets de trem e metrô e ter duas testemunhas em cada país por onde o aventureiro passar. A ideia é que a viagem comece pelo Paraguai e pela Argentina. Em seguida, estarão na trajetória os demais países da América do Sul, o Caribe, a América do Norte e a Europa.

Apesar de ter se desfeito de todo o patrimônio construído nos últimos sete anos, Anderson diz que o dinheiro que juntou não é suficiente para um ano e meio de viagem. Por isso, está em busca de patrocinadores. O jovem tem 13 mil seguidores no Instagram. “Se alguém tiver interesse em me apoiar, estará com sua marca e sua causa sendo exposta em todos os países por onde eu passar. Pretendo fazer um documentário em que vou filmar 196 sonhos: relatos de uma pessoa em cada país. Tudo vai ser postado no Instagram”, planeja o empresário, que revela o frio na barriga antes da partida. “Dá um pouco de medo, tem a questão da distância dos meus pais, que estão em Caruaru, mas quero deixar um legado para as pessoas”, resume.