• Ceclin
mai 06, 2016 0 Comentário


Gravatá quer criar passeio de Maria Fumaça na Serra das Russas

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A Maria Fumaça seria usada num roteiro turístico pela linha férrea de Gravatá até o distrito de Russinhas

O pontilhão da linha férrea que a Prefeitura de Gravatá derrubou e terá de refazer por recomendação do Ministério Público de Pernambuco poderá ser usado, no futuro, para compor uma rota turística pela Serra das Russas, no Agreste do Estado. É que a Secretaria de Turismo, Cultura, Esportes e Lazer do município pretende criar um passeio de Maria Fumaça (locomotiva a vapor) ligando Gravatá ao distrito de Russinhas, cruzando 14 túneis ferroviários. “Ainda não há nada definido, parte dos trilhos estão obstruídos, não temos recursos nem projeto pronto, é uma ideia. Mas a gente pensa em contar com duas estações no caminho, esses locais seriam um ponto de apoio para a venda de artesanato, comidas da região e flores”, afirma a secretária de Turismo, Daniela Alecrim. O percurso, de 15 quilômetros de extensão, deverá ser animado com forró pé-de-serra.

A proposta do trem turístico Gravatá-Russinhas, diz ela, é inspirada em passeios semelhantes já realizados no Brasil. No Espírito Santo, por exemplo, o Trem das Montanhas Capixabas percorre velhas ferrovias, passando por túneis e pontes do século 19, para contemplação da paisagem serrana.  Em Gravatá, o roteiro depende da reconstrução do pontilhão, obra sem data para começar. Por enquanto, o município concluiu o termo de referência para licitar o projeto executivo. O documento foi encaminhado ao MPPE em 11 de abril de 2016, quase um ano após a demolição da ponte. De acordo com Daniela, o projeto executivo fornece todos os elementos necessários para a execução da obra. O pontilhão do trem, os trilhos e os dormentes arrancados pela prefeitura em maio de 2015 são tombados como patrimônio do Estado desde 1986.

“Cumprimos o prazo de 60 dias para apresentar o projeto, agora estamos aguardando o parecer do Ministério Público para lançar a licitação”, diz. Uma cópia do documento encontra-se na Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe), que vai orientar a obra de reconstrução. Parte do material demolido será reaproveitado. Paralelamente, a secretaria submeteu ao Fundo Estadual de Cultura (Funcultura) dois projetos de educação patrimonial, voltados para os moradores. “A população é favorável à retirada do pontilhão, por uma questão de mobilidade no trânsito. Precisamos mostrar às pessoas a importância do bem e por que ele deve ser preservado”, diz a secretária-executiva de Turismo, Pricylla Lopes.

“Foi uma coisa muito boa, toda vez que passava debaixo do pontilhão à noite, levava pedradas”, diz o agricultor aposentado José Quirino da Silva. O projeto executivo a ser contratado contempla estudo de mobilidade para o trânsito. Com a retirada do pontilhão, a prefeitura abriu um vão de quase 30 metros de largura para ligar as Ruas Amaury de Medeiros e Vereador Elias Torres, reduzindo a quantidade de veículos na Rua Hilda Gonzales.

Jornal do Commercio