• Ceclin
abr 26, 2018 0 Comentário


Entidade de Vitória busca apoio para ajudar crianças com problemas neurológicos

Núcleo atende 294 crianças com deficiências neurológicas diversas Foto: Brenda Alcântara

Núcleo atende 294 crianças com deficiências neurológicas diversas. Foto: Brenda Alcântara

Núcleo de Assistência Multidisciplinar à Microcefalia, em Vitória de Santo Antão, atende crianças com deficiências do quadro neurológico

Por Renata Coutinho, da Folha de Pernambuco

Há dois anos um serviço público de saúde em Vitória de Santo Antão, na Zona da Mata Sul do Estado, tem mudado a realidade e perspectiva de futuro de crianças e adolescentes carentes com diversos transtornos de desenvolvimento. Instalado em 2016, diante da urgência dos quadros de microcefalia relacionados ao zika, o Núcleo de Assistência Multidisciplinar à Microcefalia e outros agravos (NAMNI), que funciona na Associação de Proteção à Maternidade e Infância de Vitória (Apami), atende atualmente 294 meninos e meninas com deficiências diversas do quadro neurológico. São pacientes que vêm de várias cidades do Agreste, Zona da Mata e até RMR, numa demanda que tem sido crescente e que comove a todos.

Para tentar ampliar a assistência e, assim, dar esperança de recuperação aos pequenos, a direção do núcleo estuda formas de ampliar a capacidade do espaço, mas, para isso, a participação popular é elemento indispensável. Informações sobre como colaborar com o serviço podem ser obtidas por meio dos telefones 99915.9715, 98626.0913 ou o com a Apami, que atende pelo número (81) 3523.8244.

“Como nós somos uma instituição filantrópica, se tiver alguma empresa que queria fazer doação, existem benefícios no Imposto de Renda. Já tivemos também a ideia de buscar políticos para conseguir uma verba por emenda parlamentar. Outra saída mais rápida seria conseguir mantenedores para angariar mais recursos. Hoje o que temos são parceiros pontuais”, explicou a coordenadora e idealizadora do NAMNI, a médica Isla Queiroz. O sonho da equipe, segundo ela, é ver o serviço se tornar um Centro Especializado de Reabilitação (CER), mas isso ainda é um projeto de longo prazo. Mesmo sem estar com a certificação de CER, que depende de uma habilitação do Governo Federal, o NAMNI é a principal referência terapêutica no SUS da região para a abordagem multidisciplinar às doenças neurológicas. Profissionais de fonoaudiologia, terapia ocupacional, fisioterapia, psicologia, psicopedagogia, neuropsicologia, medicina, enfermagem e nutrição compõe o quadro.

“Dói não poder atender hoje a todos que nos procuram, mas, com a equipe que a gente tem hoje, espaço físico e incentivos atuais (verbas apenas do SUS), não há como. E, com isso, já existe uma demanda reprimida, fila de espera para alguns terapeutas, principalmente na fonoaudiologia”, comentou a fonoaudióloga e enfermeira Sandrely Veras. Os resultados nas crianças acolhidas e tratadas no serviço estampam resultados surpreendentes. Diagnosticado aos dois meses de vida com microcefalia, Luiz Miguel, hoje com 2 anos, é um dos xodós da unidade e foi um dos primeiros a ser tratado no núcleo. “Fiquei sem querer acreditar quando tive o diagnóstico de microcefalia dele. Não consegui comer ou dormir. Mas ele, graças a Deus, evoluiu muito bem com todo o trabalho feito aqui”, contou a mãe dele, Vera Lúcia da Silva, 27. Miguel anda, desenvolveu a linguagem e se alimenta por via oral.

Outro caso que chama atenção é o de Vitória Rayane, 10 anos, filha de Maria José Soares, 46. Somente quando chegou até o NAMNI, há seis meses, é que foi constatada que a quietude atípica da menina era devido a um retardo mental, aliado a um quadro de surdez que passou despercebido durante toda a infância. “Ela ficou muito melhor depois que chegou aqui, e finalmente soubemos o que ela tinha”, disse. Entre os pacientes atendidos no núcleo, os de transtorno do espectro autista atualmente é maioria. Entre eles está o pequeno Pedro Henrique, 2 anos, filho de Rivânia Andrade, 42. “Não suspeitava de nada da doença até que assisti um programa de TV e vi que Pedro tinha todas as características que falavam lá. Até então, a única coisa que achava estranho era o fato de ele não responder quando o chamava”, relembrou Rivânia. Com um ano no programa, o menino é só evolução, segundo ela. “Parece mágica. Além do profissionalismo, há amor”, comemorou.