Relatório aponta falta de xadrez, banheiro, alojamento, colete, entre outros. SDS afirmou que todos os imóveis serão reformados até 2014.
Luna Markmanm, do G1 PE

Celas inabitáveis na Delegacia de Moreno (Foto: Luna Markman/ G1)
O Sindicato da Polícia Civil (Sinpol) de Pernambuco realizou um levantamento sobre a situação de delegacias na Região Metropolitana do Recife e interior do Estado. Em 11 dias de trabalho, no início de abril, uma equipe visitou 120 imóveis e constatou em todas eles uma série de irregularidades. O resultado do dossiê foi antecipado ao G1 e à TV Globo.
A data que o dossiê será entregue ao governo estadual ainda não foi definida pelo Sinpol. Procurada pela equipe de reportagem, o secretário da Secretaria de Defesa Social (SDS), Wilson Damázio, informou que todas as 251 delegacias civis do Estado serão reformadas até 2014. “O governo [estadual] vai investir R$ 200 milhões nessa reforma”, disse.
O Sinpol visitou delegacias localizadas no Recife, Cabo de Santo Agostinho, Ipojuca, Moreno, no Grande Recife; Vitória de Santo Antão e Sirinhaém, na Mata Sul; Paudalho e Nazaré da Mata, na Mata Norte; Caruaru, Canhotinho e Garanhuns, Calçado e Surubim, Vertentes e Poção, Venturosa e Itaíba, no Agreste; Manarí, Petrolândia, Moreilândia, Bodocó, Mirandiba, São José do Belmonte e Sertânia, no Sertão.
O dossiê denuncia as condições precárias nas quais se encontram muitas delegacias em Pernambuco. Alguns problemas são comuns em todos os imóveis, como péssimas condições estruturais, com paredes rachadas e tetos cedendo, falta de xadrez, banheiros, alojamentos adequados e equipamentos de trabalho, pouco efetivo, além da quantidade insuficiente de coletes à prova de balas – muitos agentes utilizam coletes com o prazo de validade vencido.
A equipe do Sinpol ainda encontrou situações em que agentes civis fazem cota para pagar funcionários de limpeza e botijões de água mineral, além de delegacias com ordem de despejo, com corte de luz e de energia. A Delegacia de Paudalho, na Mata Norte, por exemplo, funciona em um prédio improvisado da Promotoria Pública, que, segundo o dossiê, já solicitou a devolução do mesmo. A delegacia “original” estaria a mais de três anos em reforma.
A equipe do G1 também foi à Delegacia de Moreno (foto), na Região Metropolitana, contemplada no relatório, e verificou que parte do reboco do setor administrativo está caindo e que não há estante para arquivar documentos policiais. O alojamento é só um espaço para colocar o colchão. O quintal virou depósito de motos apreendidas, cujos inquéritos já foram concluídos e os veículos já estão à disposição da Justiça. Um carro apreendido está “guardado” no meio da rua.
O xadrez do prédio está inabitável. Sujo, com mofo na paredes e muito lixo. Sem qualquer segurança. Completamente abandonado. Quando alguém precisa ser detido, é algemado em uma estante em uma das salas para não fugir. Fora que, há dois meses, a delegacia está sem delegado titular. O antigo se aposentou e o titular do Curado está acumulando as duas funções. Segundo o Sinpol, o novo delegado foi nomeado e deve assumir na próxima quarta-feira (03). O efetivo conta com 19 policiais, ma o plantão é coberto só por um agente.
De acordo com o presidente do Sinpol, Cláudio Marinho, esta é a primeira vez que o sindicato faz um levantamento tão detalhado. “Encontramos deficiências em coisas básicas, como falta de banheiro femino e coletes a prova de bala. Muitas delegacias funcionando em imóveis improvisados e servindo de depósito. Além da falta de efetivo, que obriga a trabalhar por hora extra. O policial já tem uma função estressante e ainda tem que trabalhar em situação precária”, disse.