ENTREVISTA – EDUARDO CAMPOS
Maria Lima Agência O Globo
Aliado de primeira hora que cresce no cenário político e se viabiliza como alternativa para a sucessão de Dilma Rousseff em 2014, o presidente do PSB e governador de Pernambuco, Eduardo Campos, reconduzido à direção do partido, rodará o País como cabo eleitoral dos 1500 candidatos cabeça de chapa da legenda, mas diz que nem o PT nem a presidente precisam se sentir enciumados ou ameaçados com o crescimento de um parceiro correto. Mas admite a proximidade com o PSD e com o tucano Aécio Neves (MG). Também não descarta que o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho, possa sair como cabeça de chapa na disputa pela Prefeitura de Recife, caso o PT não resolva sua disputa interna.
O GLOBO O senhor ressaltou o crescimento do PSB. O senhor também está crescendo politicamente. Isso não gera ciúmes em Dilma e no PT? Não é uma ameaça para 2014?
EDUARDO CAMPOS Dilma sabe quem somos, não precisa ter ciúmes. Porque o partido está crescendo não signfica que represente uma ameaça. Se é um aliado que está crescendo, é solidário e é correto, tem que achar é bom. Temos dado solidariedade ao governo em todos os momentos. Não tivemos nenhuma atitude de criar constrangimentos, só atitudes de solidariedade. Historicamente a gente tem tido uma postura muito colaborativa, tanto no governo do presidente Lula, quanto no da presidente Dilma.
O GLOBO O PSB precisa dar uma apoio especial nesse momento de crise que atravessa o governo da presidente Dilma, com queda de ministros e paralisia de gestão?
EDUARDO O ano que vem será um ano muito complexo. Não temos segurança do que vem pela frente, não conhecemos o ambiente econômico que enfrentaremos. O governo tem que ter objetividade nas atitudes para enfrentar e minorar os efeitos da crise lá de fora aqui dentro. Consolidar as ações do governo. Principalmente porque tem outro complicador que é a eleição municipal. A disputa vai se dar nas bases, e é nos municípios que esses efeitos chegam mais fortes. O melhor ano para o governo é o terceiro ano do mandato, quando não tem eleição, o governo está mais maduro. Vamos ajudar o governo a fazer um 2012 melhor que 2011.
O GLOBO O governo está paralisado?
EDUARDO Por essas razões todas que eu disse. O primeiro ano é o ano de plantar.
O GLOBO E essa dobradinha do PSB com o PSD e o PSDB?
EDUARDO As alianças que temos com o PSD são naturais. A origem do PSD em muitos Estados se deu a partir da base de sustentação do PSB e dos projetos que estamos liderando. Na Bahia, com Jaques Wagner, em Sergipe, com Marcelo Déda, em Pernambuco. Muita gente do PSD veio dessa base. O partido surgiu de uma origem de forças políticas muito próximas do PSB. E no PSDB não tem nada de novo numa relação que já vem da Paraíba, Paraná, Alagoas, e Minas Gerais.
O GLOBO Mas e sua proximidade com Aécio Neves? Ele vai começar um périplo por Pernambuco num encontro com o senhor…
EDUARDO Aécio é mais velho que eu uma coisinha (rindo), somos da mesma geração, nós acompanhávamos nossos avôs (Miguel Arraes e Tancredo Neves). Depois a vida toca e convivemos durante três mandatos na Câmara. Na oposição, eu o ajudei na sua eleição para presidente da Câmara, depois compartilhamos projetos em Minas Gerais, no governo dele, na reeleição. Depois ele distinguiu o PSB na eleição que escolheu Márcio Lacerda candidato vitorioso em Belo Horizonte. Nós, eu e Aécio, construímos uma relação que tem gestos políticos de parte a parte, temos uma relação pessoal. Em muitos momentos sempre existiu, e existirá esses momentos em que haverá o diálogo com a oposição, com o PSDB. Conversas sobre coisas relevantes, questões de interesse social e nacional. Para botar as ideias para brigar, não precisamos colocar as pessoas para brigar. Muita gente ainda faz política assim, com esse ranço, desrespeito e prejulgamentos.
O GLOBO O ministro Fernando Bezerra Coelho, do PSB, vai se candidatar à Prefeitura de Recife? Pode ter um embate com o PT?
EDUARDO O ministro Fernando Bezerra está habilitado a disputar (o título foi transferido de Petrolina para Recife). O PSB tem o desejo de oferecer à frente que administra a cidade uma alternativa. Há um debate interno intenso no PT sobre quem será o candidato. Isso levou os outros partidos da frente a se prepararem para oferecer uma alternativa. Eu defendo que devemos unir a frente, com um candidato único.
O GLOBO O PSB quer a cabeça de chapa para Fernando Bezerra?
EDUARDO Se o que for unir a frente for o candidato do PT tudo bem. Se for o do PSB, também estará tudo bem. Se não for possível unir a frente, cabe a mim respeitar e ver como nos posicionaremos no segundo turno.